| ARGO foi um barco gigantesco cuja construção fora dirigida pela própria
Atena. Dizem uns que seu nome significa rápido, outros que significa perspicaz, por causa
do nome de seu construtor, Argos, que tinha cem olhos, dos quais cinqüenta permaneciam
sempre abertos.
A madeira provinha de Pélion, salvo a peça da proa levada por Atena, feita de um pedaço
de
carvalho sagrado de Dodona e por isso dotado do uso da palavra e do dom de profetizar. Era
um navio de cinqüenta remos.
Nele, partiram Jasão e os Argonautas:
cinqüenta heróis gregos dotados de dons especiais. O destino era Cólquida, onde
buscavam o poderoso Velocino de Ouro. Com o apoio dos bravos Argonautas, Jasão
reconquistou seu reinado, trazendo à bordo da nau o cobiçado Velocino, além de diversas
riquezas e belas esposas. |
 Fim de tarde num restaurante tipicamente americano. O jovem casal discute
planos para o futuro. Entre goles de café decidem que é hora de agir, ali mesmo. Um
beijo e estão prontos. O rapaz salta sobre o banco, armado:
-Pessoal, isso é um assalto!
A moça magrela pula e esbraveja segurando sua arma com as duas mãos:
-Se algum idiota se mexer, mato todos os miseráveis que estão aqui!
A cena congela. O filme recém começara mas para Marcelo Moreira, sentado em meio a
platéia na sala de cinema, não fazia mais diferença. O timbre daquela guitarra
galopante que conduzia os créditos de Pulp Fiction lhe bateu nos ouvidos com uma
estarrecedora revelação:
-É isso. É esse o som que quero tocar.
Ali, naquele exato momento, começava a surgir Os Argonautas.
A primeira formação da banda reuniu-se em fevereiro de 97 com o visionário Moreira na
guitarra, o retumbante Régis Sam no baixo e as intrépidas baquetas de Wilson Picco à
bateria. Não foi à toa que “Misirlou” - a trilha inspiradora - e outras
músicas do mestre Dick Dale já integravam o repertório da banda. Mas não era só isso.
Os Argonautas ancoraram sua sonoridade na autêntica surf music instrumental dos anos 60,
inspirados em Ventures, Beach Boys e Surfaris mas trouxeram para essa praia as mais
diversas influências das músicas brasileira, latino-americana e oriental. A primeira
demo tape da banda, lançada em março daquele ano, trazia releituras de clássicos da
surf music e composições próprias que já revelavam as ondas (sonoras) que Os
Argonautas iriam navegar. Dessa demo saiu a versão de "Tomorrow Never Knows",
dos Beatles, que integrou a coletânea Francis Picabia, junto com bandas do porte da
Violeta de Outono e Júpiter Maçã. A banda participou também da trilha de um vídeo
sobre a história do Grêmio, dirigida pelo cineasta Carlos Gerbase.
Após essa primeira fase, novos tripulantes sobem ao convés. O percussionista Rodrigo
Rosa chegou com tambores e chocalhos, sacolejando a galé com o ritmo quente dos
trópicos. Gustavo Dreher também tem a honra de integrar o panteão argonáutico,
encantando monstros e donzelas com sua flauta. Também as baquetas trocaram de mãos: de
Vilson Picco para a fascinante Paula Nozzari.
O resultado dessa nova fase é a excelente gravação em forma de fita K-7. "Secret Agent Men", título da segunda demo tape da banda, foi lançada em abril de 1998. A
fita apresenta só versões dos maiores clássicos da surf music, toda gravada ao vivo em
2 canais, ao melhor estilo dos 60's. No final de 97 Os Argonautas ganham o Garagito,
prêmio do reduto underground de Porto Alegre, a Garagem Hermética. A banda foi eleita
como a revelação do ano pelo público. Um ano mais tarde, a crítica especializada da
imprensa local chegou a mesma conclusão. Nesse meio tempo, nova mudança na tripulação
da argo*, outra vez na bateria: Paulinha cede a vaga para o legendário Sérgio Bolada.
Já em meados de 99, Os Argonautas finalmente conseguem, de forma independente, lançar seu primeiro CD. Seu show de lançamento foi prestigiadíssimo, com as presenças ilustres de Herbert Vianna, Bi Ribeiro, João Barone e Mateus Nachtergale, da nata roqueira porto-alegrense, além de grande público. Este CD desbravou os 7 mares e foi elogiado em todos os cantos que chegou. Phil Dirt, clássico disck jóquei californiano, tido como o maior entendedor da surf music no mundo, classificou o guitarrista dos Argonautas como o "Dick Dale da América do Sul" e o disco como estando "entre os melhores lançados este ano". Ao final daquele ano, a banda ganhou o Prêmio Açorianos de banda revelação pop rock.O ano de 2000 foi marcado por muitos acontecimentos, para o bem e para o mal. Participações especiais, como as de Frank Jorge e de Astronauta Pinguim nos teclados, King Jim ao saxofone foram tão constantes nos shows a ponto de dar ares de Big Band ao grupo. João Barone contou para a imprensa que a sua segunda banda, "The Silvas", integrada pelo ex-Mutante Liminha fora formada por inspiração nos Argonautas. A revista TRIP incluiu em uma coletânea 2 músicas da banda. O filme "Tolerância", de Carlos Gerbase trouxe em sua trilha sonora a bela "Milonda Argonautillus", milonga surf bem ao estilo Argonautas. Tanto reconhecimento para um excelente disco gravado e tanta agitação não foram suficientes para segurar Marcelo Moreira, que deixou órfãos os nossos heróis, resolvendo peregrinar sozinho em busca de suas próprias aventuras.Com a perda do líder, a Argo ficou temporariamente à deriva, só retomando o rumo em 2002. Após breve passagem do guitarrista Gabriel Guedes, que hoje lidera o Surf Trio "Pata de Elefante", a banda encontrou a sua atual e ideal formação, passando à guitarra solo o experiente navegador Marcelo Fornazier, o 4Nazzo, e à baterIa o excêntrico Thomas Dreher. Ao final daquele ano, o velho conhecido Bar Ocidente, em Porto Alegre, foi palco para a gravação do segundo CD, "Vivos no Ocidente", lançado em Setembro de 2003 e preparando o terreno para o novo CD que está sendo gravado no Estúdio Dreher.
Os Argonautas atualmente são reconhecidos como uma das melhores reuniões de profissionais do meio musical porto-alegrense. Os irmãos Dreher, do cultuado “Estúdio Dreher” são famosos em todo o Brasil por suas produções musicais e pela captação de diversos clássicos do Underground e do Pop Rock gaúcho. Marcelo Fornazier mantém com Flu (Flávio Santos, ex- DeFalla) a “Deff Reclame”, um movimentado centro de criação de áudio, tendo recebido um Kikito no último festival de gramado. O ilustrador e desenhista Rodrigo Rosa já foi premiado diversas vezes e é sempre ele quem assina as capas e o material gráfico dos Argonautas. E o que dizer de Régis Sam, senão que é hoje em dia considerado um dos melhores instrumentistas gaúchos? Talvez que é também um criativo produtor musical em seu estúdio “Groove Áudio”.
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